Ano Novo, Aventura Nova!

Quase dois meses desde a última postagem e o ritmo por aqui continua aquele mesmo. Muita gente de fora, muitos barcos, alguns eventos, muita praia, Bellinha, planos… ufa! Vamos por partes:

Passar Natal longe da família não é das melhores sensações e esse ano, claro, não foi diferente. Sentimos falta de estar perto das pessoas queridas mas, por outro lado, tentamos aproveitar ao máximo o fato de estarmos em um outro ambiente e curtir de uma forma diferente. O Natal aqui (assim como na Irlanda) é celebrado no dia 25 e muita gente se reúne em Nelson’s Dockyard pra uma grande festa com banda, dj, comida e bebida. É uma grande confraternização com pessoas locais, turistas, tripulação dos barcos e todos que se sentem à vontade para celebrar (e beber!).

No reveillón também rola uma festa nos mesmos moldes e no mesmo local, porém nós fizemos um pouco diferente: como a casa onde a gente mora tem uma vista pra toda a baía, decidimos ficar em casa, cozinhar e ver os fogos daqui, na companhia um do outro. E, vou te dizer, foi um dos melhores momentos desses quase 5 meses em Antigua.

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O ano novo chegou e com ele tivemos que decidir qual vai ser nossa próxima aventura depois que nos despedirmos do Caribe. Nem sempre é fácil ter o mundo inteiro como opção e, mesmo depois de filtrarmos bastante, ainda ficamos com algumas opções que mexem com nossa cabeça. Mas a verdade é que temos sentido falta de alguns momentos com nossas famílias e amigos e isso acabou pesando para que decidíssemos voltar ao Brasil (por tempo limitado, se Deus quiser). Claro que, antes disso, vamos dar uma passada rápida na nossa querida “Irlandinha” para rever amigos e alguns lugares.

Antigua serviu seu propósito de ser um lugar pra gente descansar, ter mais tempo um pro outro, pensar e desenvolver projetos pessoais e decidir qual seria o próximo passo. Mas Antigua também foi além e nos deu alguns amigos, muitas histórias, aprendizado, pessoas que passaram pela gente (mesmo que apenas por algumas horas de conversa num bar), uma cachorrinha linda que vai deixar saudades, muitas fotos, lembranças e momentos que sempre serão lembrados.

O fato é que estamos aqui com as malas quase prontas e em uma contagem regressiva para passar uns dias na Irlanda e, principalmente, para viver essa experiência no Brasil, depois de quase 2 anos fora.

Por isso vamos dar um tempo nas publicações por aqui, mas esperamos que as histórias inpirem quem lê a correr atrás dos seus sonhos e viver a vida da maneira como o coração pede. Deus abençoe a todos e…até a próxima aventura!

Cachorros, barcos e aniversários

[For English version please click HERE.]

À medida que o tempo vai passando a gente vai se sentindo mais “da terra”. Não que a gente perca as raízes, mas tudo vai ficando mais confortável, mais rotineiro. Tipo: ir à cidade, pagar contas, interagir com as pessoas, antes era um pouco complicado, desastrado, e agora vai ficando mais natural. A gente aos poucos passa a entender algumas palavras do “inglês” do povo local, o que é uma grande vitória. Eles aqui falam uma coisa aí que dizem ser inglês, mas pelamorde… né não, viu?! Com exceção do povo britânico, americano ou descendentes destes, a gente não entendia muita coisa no começo. Mas lembro que foi assim também quando chegamos no interior da Irlanda.

Muito e nada aconteceu desde a última vez que escrevi. NADA porque a vida aqui não é badaladíssima como nas grandes cidades. Às vezes fico impressionada como uma ilha assim sobrevive. MUITO porque tem barcos indo e vindo e, como acontece todos os anos (graças a Deus), Felipe e eu fizemos aniversário. Pois então bora falar sobre isso.

(Mais) Algumas curiosidades sobre Antígua:
1. O povo daqui é devagar. Calma, não digo que eles são preguiçosos; é só o clima que é muito quente e você vê as pessoas andando e fazendo as coisas em câmera lenta pra evitar desidratação. Eu que sou toda ligeirinha demorei a captar o ritmo da vida daqui. Agora se não quero chegar completamente suada, ando no compasso do povo antiguano.
2. Nunca vi moto aqui. Sim, tem muito carro porque (de novo por conta do clima) não dá pra andar pra todo canto. Dia desses fui atravessar a rua e o trânsito estava parado, daí me veio aquele sentimento de “cuidado com as motos”. Parei pra pensar e constatei que nunca vi moto por aqui. Em compensação tem quadriciclos everywhere.
3. Só tem 1 supermercado grande (como quase todos de Fortaleza, ou como um Tesco na Irlanda). O nome dele é Epicurean e chega quase a ser uma atração turística. Vou nem mentir que adoro ir lá por conta do ar condicionado.
4. O aeroporto daqui foi construído por uma empresa brasileira. “Googla” aí, porque eu não vou fazer propaganda dessa aí. Ah, o aeroporto é outro lugar com ar condicionado bacana pra fugir do calor caribenho (já viram que eu só penso nisso, né?!).
5. Aqui não tem cobra. É o que dizem. Tipo na Irlanda. São Patrício passou por aqui também e expulsou as bichinhas, só pode.
6. Carnaval aqui é em agosto. Não me perguntem por quê. Nem de Carnaval eu gosto.

Acho que até agora a nossa maior aventura foi a que vou contar a seguir. Vínhamos voltando de English Harbour uma noite quando vimos um carro parando para algo que cruzava a estrada. Eram filhotinhos de cachorro. Quase chorei com a cena e queria colocá-los dentro do carro na mesma hora, mas como não sou a dona da casa onde moramos, tive que primeiro consultá-la antes de fazer isso. Tudo ok – ela é associada a um daqueles grupos que resgatam cães e gatos. Voltamos lá pra pegar os bichinhos, nem sabia direito quantos eram. Encontramos dois à beira da estrada, tentando achar abrigo perto de um cano de esgoto. Nossa, que dó! Levamos os dois pra casa, uma fêmea e um macho, batizados pela Shayne de Soot (Fuligem) e Bellie, que pra gente virou Bellinha, mesmo. Vacinamos, vermifugamos e espalhamos cartazes pela cidade pra ver se alguém adotava. Ontem o Soot foi pra casa da nova família; Bellinha ainda está aqui com a gente. Digo que foi uma grande aventura porque cachorro, cês sabem, né?! Nunca é uma peça decorativa numa casa – traz alegria e tristeza, amor e ódio. Uma lindeza brincar com eles, tirar fotos e fazer vídeos. Uma tristeza acordar com a casa toda cagada e os sapatos inutilizados. Mas enfim, amor. Amamos muito os bichinhos e, apesar da saudade do Soot, continuamos aqui na nossa missão de achar um novo lar pra Bellinha (estamos exportando, viu?! Manda um inbox se quiser adotar essa pestinha!).

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Daí veio o tão esperado Boat Show. Barcos e iates do mundo todo atracaram nas três docas daqui. Foi muito interessante ver gente de todo canto, bêbados alegres, gente de bem e com histórias interessantes. Ainda escrevo um livro sobre a vida desse povo que a gente conhece nas nossas andanças. Tem o cara que há 12 anos viaja sozinho de barco pelo mundo todo, tem o cara que se aposentou por invalidez e, ao invés de ficar em casa assistindo TV foi viajar por aí, tem a tenista que na temporada vem tocar numa banda daqui…e por aí vai. Sem dúvida o melhor dos lugares não são os lugares em si, mas as pessoas que fazem os lugares. Esqueci de explicar: no Boat Show os barcos ficam abertos para que esse pessoal que lida com o aluguel deles possa ver por dentro, anunciar, fazer catálogo, essas coisas…

Aí fizemos aniversário – primeiro o Felipe, depois eu. Gente, aniversário fora de casa, longe dos amadinhos, nunca é a mesma coisa. Mas a gente faz o que pode: tenta ser especialmente companheiro um do outro e faz o que dá prazer (come besteira, explora a ilha) e termina o dia com parabéns e bolo, ainda que só com a Shayne pra acompanhar a gente.

Daí tem o Natal chegando e nem sinal dos órgão públicos e praças se enfeitarem pra ocasião. O máximo que vimos foi essa árvore de Natal no aeroporto. Uhu.

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Só que da semana passada pra cá o próprio povo começou a enfeitar as casas, e quando falo de enfeitar é ENFEITAR. Pasmem comigo:

Por enquanto é só. Foram quase dois meses em alguns parágrafos. Continuamos loucos, unidos e felizes. “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:12,13)

 

O Caribe e a grama do vizinho

Oi, gente!

No último dia 25 completamos um mês aqui em Antigua, então já dá pra dizer que estamos melhor adaptados a tudo e todos. O clima melhorou – está chovendo mais e esfriou um pouco (até a temperatura do mar, antes morna, ficou mais fria, mas não menos agradável).

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Estamos trabalhando com property management (não sei o termo correto em português; traduzindo ao pé da letra ficou estranho…). Envolve aluguel de casa pro verão, incluindo site, AirBnB, telefonemas e emails, monitorar limpeza, jardinagem, piscina, compras, entre outras coisas que vão aparecendo. Com isso a gente entra no esquema de hospitalidade da ilha para a alta estação.

A alta estação aqui, que não é nem verão, é quando os navios/iates/barcos atracam na ilha para regatas e outros eventos. Dizem que as pessoas mais ricas do mundo trazem suas embarcações pra esta região a partir de novembro para curtir o mar e as festas aqui. Então a ilha sobrevive basicamente disso – dos meses de alta estação.

Nosso trabalho não ocupa todo o nosso tempo, então temos espaço pra explorar a ilha, conhecer pessoas e curtir a praia no fim do dia. A ilha não é muito grande, nem muito urbanizada. Não tem um shopping center ou um só lugar onde você possa encontrar de tudo. Quer comprar uma lâmpada? Tem que ir num certo lugar. Cadernos? Do outro lado da cidade. E assim vai… Mas é divertido ver a forma como cada país se organiza (ou se desorganiza) e como as pessoas lidam com isso.

Estamos bem, felizes e saudáveis. Dia desses levei uma picada de escorpião e, por ignorância, pensei que ia morrer. Felipe também pensou. Eu mal conseguia andar (foi no pé, esse trem) e ele gritava repetidamente “bora, Fabiana!” pra gente ir ao médico. Deu tanta chinelada no bicho que mais parecia um escorpião de papel. Enfim, fomos ao médico só pra passar a vergonha de, logo na porta, ele nos dizer que é que nem uma picada de abelha. Ok. Já conhecemos pessoas, fizemos amizades que nos renderam convites para lugares onde nunca imaginaríamos (nem arcaríamo$$$) ir. Veio o Halloween e a gente morreu de rir junto com o povo que trabalha em iates, tudo num bar holandês da marina daqui. Estrangeiro que veio e decidiu ficar é algo que não falta por aqui.

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As pessoas têm nos perguntado como fazemos pra viajar, pra conhecer lugares bonitos, pra ter “essa vida”… Gente, sinceramente não sei dar dicas de como viver uma vida assim (for whatever that means). Eu falo e as pessoas pensam que tou brincando ou diminuindo a nossa experiência, mas vida é vida em qualquer canto. Primeiro porque a gente gosta, sim, de viajar, mas o lance é que na nossa cabeça não existe muita fronteira. Não estamos gastando nosso dinheiro em viagens; estamos ganhando dinheiro nos lugares pra onde viajamos. Foi um exercício de desprendimento imenso quando deixamos o Brasil e tivemos que vender tudo, nos despedir das pessoas que amamos, da terra que conhecemos. Agora ficou um pouco mais fácil porque nossa vida (material) cabe em algumas malas. Segundo porque, quando você passa da fase de turista e adquire uma certa rotina, vira vida normal. Foi assim na Irlanda; é assim no Caribe.

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Não incitamos ninguém a “largar tudo e viajar” porque não foi isso que a gente fez. Aconteceu e Deus tem nos dado bases seguras, respaldo e discernimento pra dar cada passo. Então, por mais que “a grama do vizinho pareça mais verde”, queria lembrá-los que 1. estamos trabalhando (com certa folga, sim, mas talvez não ganhando tanto dinheiro quanto você que rala mais!); 2. aqui é um paraíso, mas com seus problemas (calor, mosquitos, subdesenvolvimento); 3. o desprendimento é um exercício diário e a saudade dos amados não faz parte dele (pra ela não tem cura); 4. quer “essa vida”? Começa procurando oportunidades de trabalho fora da caixa do país. Vai que aparece alguma coisa legal e você tem a oportunidade de passar um tempo fora! Uma coisa eu digo sem gaguejar: estamos amadurecendo MUITO.

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Obs.: Escrito e “formatado” num iPad. Por isso, perdão pela falta de formatação. Aceito aulas grátis.

Primeiras impressões de Antígua

Já estamos há mais de uma semana em Antígua, então acho que já dá pra escrever alguma coisa pelo menos pra dar notícia. Um ótimo começo seria dizer que não, Joaquin não passa por aqui (pelo menos por enquanto). Estamos a salvo e deste lado da ilha é difícil a coisa ficar feia quando tem furacão.

Tivemos a grande “sorte” de, na nossa primeira semana, pegar o dia mais quente já registrado na história de Antígua (uhu!). E não me venha dizer que Fortaleza também é quente porque quentura agora eu sei o que é. Nossa…pedi pra Jesus mandar chuva ou me levar porque estava quase desmaiando. Sério. Mas como pior do que estava não poderia ficar, esfriou e estamos com agradáveis 30 graus todo dia.

(Desculpa, só falei do clima até agora, mas é a única coisa que me prende a atenção o tempo todo aqui…)

Pois bem, Antígua é uma ilha com 80.000 habitantes. Acho que até o Conjunto Ceará tem mais gente que isso. A gente está no sul da ilha, num lugar chamado English Harbour. As pessoas aqui são muito amigáveis e hospitaleiras; dá sempre pra ver gente na rua, reunida, rindo e dançando. Bem Caribe. A língua oficial é o inglês, mas no rádio e na TV tem programas em espanhol e francês também (línguas das ilhas vizinhas). A moeda é o dólar caribenho; 1 dólar americano são 2,60 dólares caribenhos. A maioria da população é de negros, descendentes daqueles trazidos da África na época do colonialismo. Tem uma minoria branca e, aparentemente, não muita miscigenação, partindo do fato de que eu (café com leite) sou um bicho exótico aqui também; o povo me olha meio curioso e pergunta de onde sou. Nem sinal de outros brasileiros na ilha; o cara da polícia falou que havia um há muitos anos, mas que foi embora. A economia é baseada principalmente no turismo. Tem manga e pitomba (eeeeê). Não é uma ilha plana – tem muitas colinas e vistas maravilhosas lá de cima.

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É interessante ver a maneira como as pessoas lidam com a “escassez” aqui. Como é uma ilha pequena, os recursos são escassos. Quase todas as casas juntam água da chuva para consumo; a água do chuveiro e das pias vai para as plantas. Tudo é muito eco friendly e reaproveitado na medida do possível (como deveria ser no planeta todo, mas aqui acontece pela necessidade).

As praias… oh, céus… é aquele esquema mesmo que vocês devem imaginar sobre o Caribe: mar azulzinho e sem ondas, água morna, siris e peixes brincando por perto, barcos/lanchas/iates indo e vindo, reggae tocando e uma galera dançando. A Pigeon Beach é nosso destino certo quase todo fim de tarde.

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Semana passada fomos à capital (St. Johns) e…bem, qualquer um de vocês que já tenha ido ao Centro de Fortaleza acharia bem similar. É aquele amontoado de gente, loja, camelô, fórum, correios, igreja e hospital, tudo junto. O Felipe ficou feliz em encontrar um Burger King pra matar a vontade de junk food. Isso porque a maioria dos doces e outras guloseimas é bem cara. Comer vegetais, carne e frutas sai bem mais barato.

Por enquanto acho que é isso. Comecei a pesquisar sobre a história do lugar, mas ainda está muito recente pra eu falar qualquer coisa mais aprofundada. Estamos bem, felizes e curtindo o que Antígua tem pra oferecer. Abraço procês.

Um big F5 pra vocês 

AVISO: Esse post tá bem grande. Mas foi feito com carinho e paciência pra atualizar vocês. A qualidade das fotos não está boa porque tirei do Instagram (estamos sem computador e nossas pictures estão todas no HD externo). Desculpem se o post não sair bem bonitinho, alinhado e formatado. Sou meio broca (ops, cearês!) pra essas coisas no iPad.

Verdade de verdade é que, como a vida tem sido muito corrida, fico com preguiça de escrever aqui. Mais verdade ainda é que nós passamos por alguns momentos difíceis e, tentando resolver tudo, o blog ficou meio de lado. Verdade verdadeiríssima é que eu tenho A-BU-SO* de blogs de casais que resolveram largar tudo para viajar ao redor do mundo, então não queria que este se tornasse um. Qualquer semelhança é mera coincidência; é o que estamos vivendo e este blog serve para dar notícias para vocês, amadinhos. (*ABUSO: s.m. Gíria cearense que expressa aversão.)

Vamos começar com coisas boas, né?! Depois do último post recebemos visitas amadíssimas. Primeiro o Tim (meu amigo-padrinhodecasamento alemão) e a Lisa (digníssima dele) vieram nos ver. Rodamos pela Irlanda e foi SUPER divertido. Acabamos nossas férias num hotel em Galway onde estava tendo uma conferência de idosos. Daí chegamos à conclusão de que idosos somos nós; aquele povo ali não parava um minuto: desde hidroginástica às seis da manhã até dança às duas da manhã seguinte. O Felipe e o Tim voluntariaram pra ser go-go boys dançarinos e fizeram sucesso no meio das senhorinhas.


Depois disso o Daniel (nosso gordinho) veio cumprir a promessa dele de visitar nós três (Bea, Felipe e eu). Foi muito bom tê-lo por perto. Ele pôde viver nossa realidade irlandesa de sair num dia de sol e ter chuva, sol, chuva, granizo, chuva, sol, chuva e sol num intervalo de duas horas de caminhada por Glendalough. Lovely Irish weather! Fora isso a gente se mandou pra Dublin e curtiu a noite com o Napô e o Henrique. Decidimos conhecer a tal da silent disco e era muito engraçado ver o povo cantando e dançando musicas diferentes ao mesmo tempo, sem se incomodar uns com os outros.


  

Em junho fomos ao Brasil porque a minha Paty irmãmaislindadomundo ia casar com o Pedro cunhadomaislindodomundo. Ela preparou tudo cuidadosamente e acabou que foi a cerimônia mais interessante que já vi. Tudo maravilhoso! Tivemos oportunidade de rever família e amigos e abastecer o coração pra voltar pra Europa.


  

Então voltamos e aqui começo a explicar a reviravolta de sair da Irlanda pra morar um tempo em Antígua e Barbuda.

Desde a última vez que demos notícias aqui, a instituição onde trabalhamos começou a passar por profundas mudanças. O Camphill como um todo está tendo que se institucionalizar, o que significa muitas vezes sair do estilo comunidade hippie, passar a obedecer regulamentos e sofrer constantes fiscalizações do Governo. Nada disso era novidade pra gente; quando deixamos o Brasil para ir para a Irlanda já sabíamos que sofreríamos mudanças. No entanto, primeiro sofremos um sério problema de ingerência; depois, enquanto os gerentes da instituição estavam preocupados com questões mais burocráticas, nós (todos os co-workers) nos sentimos sem suporte para auxiliar os residentes no dia a dia. Muitos deles estão enfrentando problemas por causa da idade, o que tornou difícil para nós (coordenadores) dar suporte aos voluntários sem termos a devida orientação. Resumindo: estava MUITO pesado carregar essa responsabilidade. Superficialmente, este foi o motivo de termos saído. Há muitos outros detalhes que preferimos não compartilhar.

Voltamos do Brasil e conversamos com várias pessoas, tentando resolver uma infinidade de problemas que nós (todos) estávamos enfrentando. Não deu certo. Algumas pessoas começaram a sair da instituição e foi quando ficou claro que também não poderíamos ficar por muito tempo. Anunciamos nosso interesse em sair e começamos a procurar outras oportunidades. Não pensamos em voltar pro Brasil porque decidimos mesmo ter esse gap de três anos fora e porque… cês sabem… a coisa aí não tá muito legal.

Entramos em contato com alguns amigos e, quando voltamos da nossa viagem de dois anos de casados, tinha um email de uma amiga nos chamando para passar uma temporada em Antígua e ajudar no negócios de uma amiga dela. (Isso: a amiga da amiga. Amizade é melhor que dinheiro, sem dúvida!). Nos cercamos de toda segurança possível (passagens, seguro, contato com a amiga da amiga, informações sobre o lugar etc.) e viemos.

Não foi fácil deixar os nossos velhinhos e a princípio a comunidade não ficou muito satisfeita com a nossa saída (ÓBVIO! Vão demorar pra achar quem abrace o tanto de tarefas de que dávamos conta). Mas depois ficou mais de boa e fomos vendo que fizemos bons amigos ali; por isso doeu partir. E tem a Bea, né?! Mas não vou nem entrar nesse mérito.

Chegamos e estamos nos adaptando (à hora, ao calor, ao local, às pessoas). Só são dois dias. Ainda não dá pra falar muita coisa. Mas daqui uns dias tento postar de novo falando de Antígua. Mas está tudo bem (viu, mãe?!) e estamos felizes. Xêro pra vocês e até logo.

A Bea e outras histórias…

A Bea…

Falei no outro post que a Bea era outro assunto, né?! Então aqui vai.

A Bea acompanhava meu blog quando vim pra Irlanda pela primeira vez. A gente nem se conhecia e só Deus sabia o que a gente ainda ia viver. Daí um tempo depois que eu já tinha voltado ao Brasil ela me mandou uma mensagem no Facebook perguntando se eu queria ser amiga dela. Na verdade ela criou coragem pra fazer isso porque não foi uma coisa normal nem pra mim nem pra ela. Mas algo me dizia que esse negócio ia dar certo. Resumo da história: esta pessoa é minha madrinha de casamento.

Quando Felipe e eu finalmente decidimos vender tudo e vir pra cá, a Bea já estava praticamente de passagem comprada para vir também; enquanto nós viríamos em março pra Duffcarrig, ela só viria em setembro pra Ballymoney (comunidade vizinha à nossa). Pra quem mora longe e isolado a companhia de uma amiga-madrinha que nem essa é coisa enviada por Deus. A gente ficou contando os dias pra Bea chegar. Daí ela chegou. E a aventura que já estava legal ficou melhor ainda.

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As coisas não eram bem como ela imaginava lá na outra comunidade, então ela decidiu se mudar pra cá. A verdade é que ela não aguentou ficar longe da gente nem 1km (essa é a distância entre as duas comunidades). E cá estamos nós: uma dupla de três, um trio de dois, já que nós dois somos um e tem a Bea… enfim, não dá pra explicar e nem sei como era a vida antes dela aqui. Na hora que o bicho pega a gente corre um pra casa do outro e dá tudo certo. Deus, essa tal de amizade é a melhor invenção de todos os tempos!

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                                                       (A gente fingindo que é meiga)

Acaba que a Bea assumiu praticamente as mesmas responsabilidades que a gente, só que em outra casa. Obviamente pedimos o mesmo day off. Ah, day off… nunca expliquei. Aqui a gente tem uma folga oficial por semana (fale-me mais sobre Europa ostentação e vida fácil na Irlanda… nunca vi!). Sim, a gente tem mais férias que aí no Brasil e também tem os weekends off volta e meia, mas… a vida aqui é intensa, puxada, mas divertida.

O Day Off…

Falando em day off, esse povo que tem mania de viajar nunca se aquieta. Acaba que, mesmo tendo um só dia de folga, a gente revira essa Irlanda o quanto pode. Dia desses saímos pra tomar uma sopa numa cidade, comemos sobremesa em outra e, já que estávamos a 40km de outra capital, lá fomos nós rumo a Kilkenny.

Depois era só uma ida rápida a Dublin; acabamos rodando pela cidade e indo comer cachorro quente na casa do Napô e do Henrique, voltando pra casa só depois das dez. E trabalhando no dia seguinte.

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Nosso gueto aqui: Bea, Napô, Henrique e o Bruno – nossa mais recente aquisição 🙂

A Páscoa…

Daí veio a Páscoa. Gente. A Páscoa no Camphill é um episódio à parte. Eu já passei por isso na vez passada em que estive no Camphill e também no ano passado. Agora fiquei experiente e posso falar. Já estava acostumada a ouvir falar da morte e ressurreição de Cristo na igreja e ter que lidar com a mistura disso com o coelhinho da páscoa e os ovos de chocolate no resto do mundo. Aqui tem o adicional da interferência cósmica, com uma cor diferente pra cada dia da semana. Respeito a filosofia, mas é muita informação e prefiro ficar só com Jesus Cristo, mesmo. De toda forma fomos ver o amanhecer do domingo de Páscoa na praia, tivemos um café da manhã todos juntos, decoramos a casa e fizemos “caça ao ovo” pras nossas “crianças”.

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Por hoje é só. Feliz Páscoa pra todo mundo!

Páscoa, curso, visita e inspeções. Ufa.

Peço desculpa aos amigos pelo mês sem notícias, mas tenho uma explicação.

Felipe e eu fomos convidados a voltar para este Camphill por várias razões – entre elas as inspeções. Era necessário que viéssemos pra assumir uma das casas também no sentido de cuidar de toda a papelada de nossos residentes pra que tudo estivesse ok quando as inspeções viessem. Quando falo em inspeções, refiro-me ao temido HIQA (agência governamental de saúde daqui) que está visitando os Camphills pela primeira vez. Então, o que antes costumava ser só viver junto, cuidar de pessoas, caminhar e cantar e seguir a canção, agora virou coisa séria; o Camphill é reconhecido como instituição apta a cuidar de pessoas e, para tal, tem que ter um acompanhamento do governo.

Pois bem, chegamos aqui com MUITA coisa pra fazer e neste último mês o trabalho foi tão intenso que não tive tempo de vir aqui e partilhar tudo com vocês. Porém vou tentar me redimir agora.

Onde foi que eu parei?… Ah, Páscoa! Aqui no Camphill celebramos todos os festivais do ano. Na Páscoa decoramos a casa com ovos pintados, estudamos a Bíblia durante a semana inteira pra saber o que aconteceu na vida de Jesus antes de sua crucificação. Nos dias referentes ao sofrimento de Jesus temos momentos de quietude e até um jantar totalmente em silêncio no dia da crucificação. Mas então vem a ressurreição e celebramos a Páscoa. Nela vamos às 6 da manhã ver o sol nascer e cantar pra ele (isso mesmo…) e então fazemos um café da manhã com toda a comunidade. Depois escondemos os ovos de chocolate e temos “caça ao tesouro”.

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Então veio a época de irmos ao nosso curso de novo. Como já falei, estamos aprendendo sobre as bases do Camphill e nesta sessão tivemos terapia corporal através da dança (o Felipe adorou #sqn) e aprendemos sobre o desenvolvimento do ser humano nos primeiros sete anos de vida. Esta sessão foi na comunidade de Ballytobin, um Camphill pra adolescentes, onde também funciona uma escola inclusiva.

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Daí o Rafinha veio. O Rafa é outro amigo louco corajoso que temos. É dos nossos – coloca a mochila nas costas e vai. Dessa vez, veio. Foi o primeiro a cumprir a promessa que umas vinte pessoas fizeram pra gente: “Aaaaaaaah, vou te visitar lá na Irlanda! Tem quarto pra mim?”. Tem, gente. Tem dois quartos prozamigos. O Rafinha veio e a intenção era escalarmos o Tara Hill (monte aqui perto), mas acabamos andando na chuva (teste de amizade) até Gorey. Ou quase isso, porque um taxista nos ofereceu carona (de graça) na metade do caminho. Welcome to Ireland, a terra da gentileza.

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Quase esqueço de falar do aniversário da Carla (nome fictício pra uma residente de 73 anos). Ela tem problemas em socializar-se e normalmente foge ou evita pessoas. Desde que chegamos aqui desenvolvo uma amizade engraçada com ela. Em conversas curtas com ela ganho meu dia e, quando ela vem e me fala que quer jantar conosco em seu aniversário… NOSSA! Que felicidade. Fiz um bolo de morango (o primeiro da minha vida, que Deus se compadeceu e fez ficar delicioso) e tivemos um jantar lindíssimo de aniversário. Se coubesse aqui falaria por horas desses pequenos momentos mágicos que fazem a coisa toda valer a pena, mas… o objetivo é outro e não posso me estender demais nas historinhas.

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Na última segunda-feira o HIQA mandou mensagem dizendo que viriam no dia seguinte. Gelei. Fiquei pensando se tinha feito o trabalho direito, fiquei nervosa por estar aqui só há dois meses, fiquei insegura com a situação. Fizemos uma faxina na casa e coloquei os documentos em ordem para receber os inspetores com suas questões e observações. As casas aqui são antigas, portanto previmos que eles teriam muitos requerimentos a fazer com relação à estrutura. O inspetor principal escolheu a nossa casa para almoçar (que sorte, hum?!), mas isso acabou sendo a melhor coisa a acontecer: tudo aqui ocorreu de forma leve e conseguimos passar pela inspeção sem maior estresse. Graças a Deus.

Isso nos deu tranquilidade pra curtir o Ascention Day. Aqui é o dia em que todo mundo da comunidade vai pra algum lugar juntos. Acho que é o único dia do ano em que se consegue colocar todo mundo dentro dos ônibus e fazer esse tipo de coisa. A logística é imensa. Fomos para Wells House (um casarão antigo com uma área de lazer ao redor) e, apesar de não fazer sol, pelo menos não choveu (aqui a gente tem que se sentir feliz com isso, tá?!). Estava acontecendo uma exibição de carros antigos e pudemos fazer uma trilha onde tinha várias casinhas de fadas, elfos e hobbits pelo caminho.

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Acho que foi isso. Ou melhor, com certeza foi bem mais que isso, mas não tenho como descrever o que é viver o que estamos vivendo aqui. Uma mistura de expectativa de coisas novas, com deslumbramento com as experiência e uma certeza de que Deus foi quem nos mandou pra cá e está nos dando habilidade pra conduzir tudo da melhor forma.