O Caribe e a grama do vizinho

Oi, gente!

No último dia 25 completamos um mês aqui em Antigua, então já dá pra dizer que estamos melhor adaptados a tudo e todos. O clima melhorou – está chovendo mais e esfriou um pouco (até a temperatura do mar, antes morna, ficou mais fria, mas não menos agradável).

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Estamos trabalhando com property management (não sei o termo correto em português; traduzindo ao pé da letra ficou estranho…). Envolve aluguel de casa pro verão, incluindo site, AirBnB, telefonemas e emails, monitorar limpeza, jardinagem, piscina, compras, entre outras coisas que vão aparecendo. Com isso a gente entra no esquema de hospitalidade da ilha para a alta estação.

A alta estação aqui, que não é nem verão, é quando os navios/iates/barcos atracam na ilha para regatas e outros eventos. Dizem que as pessoas mais ricas do mundo trazem suas embarcações pra esta região a partir de novembro para curtir o mar e as festas aqui. Então a ilha sobrevive basicamente disso – dos meses de alta estação.

Nosso trabalho não ocupa todo o nosso tempo, então temos espaço pra explorar a ilha, conhecer pessoas e curtir a praia no fim do dia. A ilha não é muito grande, nem muito urbanizada. Não tem um shopping center ou um só lugar onde você possa encontrar de tudo. Quer comprar uma lâmpada? Tem que ir num certo lugar. Cadernos? Do outro lado da cidade. E assim vai… Mas é divertido ver a forma como cada país se organiza (ou se desorganiza) e como as pessoas lidam com isso.

Estamos bem, felizes e saudáveis. Dia desses levei uma picada de escorpião e, por ignorância, pensei que ia morrer. Felipe também pensou. Eu mal conseguia andar (foi no pé, esse trem) e ele gritava repetidamente “bora, Fabiana!” pra gente ir ao médico. Deu tanta chinelada no bicho que mais parecia um escorpião de papel. Enfim, fomos ao médico só pra passar a vergonha de, logo na porta, ele nos dizer que é que nem uma picada de abelha. Ok. Já conhecemos pessoas, fizemos amizades que nos renderam convites para lugares onde nunca imaginaríamos (nem arcaríamo$$$) ir. Veio o Halloween e a gente morreu de rir junto com o povo que trabalha em iates, tudo num bar holandês da marina daqui. Estrangeiro que veio e decidiu ficar é algo que não falta por aqui.

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As pessoas têm nos perguntado como fazemos pra viajar, pra conhecer lugares bonitos, pra ter “essa vida”… Gente, sinceramente não sei dar dicas de como viver uma vida assim (for whatever that means). Eu falo e as pessoas pensam que tou brincando ou diminuindo a nossa experiência, mas vida é vida em qualquer canto. Primeiro porque a gente gosta, sim, de viajar, mas o lance é que na nossa cabeça não existe muita fronteira. Não estamos gastando nosso dinheiro em viagens; estamos ganhando dinheiro nos lugares pra onde viajamos. Foi um exercício de desprendimento imenso quando deixamos o Brasil e tivemos que vender tudo, nos despedir das pessoas que amamos, da terra que conhecemos. Agora ficou um pouco mais fácil porque nossa vida (material) cabe em algumas malas. Segundo porque, quando você passa da fase de turista e adquire uma certa rotina, vira vida normal. Foi assim na Irlanda; é assim no Caribe.

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Não incitamos ninguém a “largar tudo e viajar” porque não foi isso que a gente fez. Aconteceu e Deus tem nos dado bases seguras, respaldo e discernimento pra dar cada passo. Então, por mais que “a grama do vizinho pareça mais verde”, queria lembrá-los que 1. estamos trabalhando (com certa folga, sim, mas talvez não ganhando tanto dinheiro quanto você que rala mais!); 2. aqui é um paraíso, mas com seus problemas (calor, mosquitos, subdesenvolvimento); 3. o desprendimento é um exercício diário e a saudade dos amados não faz parte dele (pra ela não tem cura); 4. quer “essa vida”? Começa procurando oportunidades de trabalho fora da caixa do país. Vai que aparece alguma coisa legal e você tem a oportunidade de passar um tempo fora! Uma coisa eu digo sem gaguejar: estamos amadurecendo MUITO.

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Obs.: Escrito e “formatado” num iPad. Por isso, perdão pela falta de formatação. Aceito aulas grátis.